Depois de muitas sugestões, pesquisas, enquetes sobre qual nome iriamos dar ao nosso nascente grupo escolhemos UMOJA.
Esta palavra que em Swahili significa UNIDADE foi escolhida por nós por representar o nosso ideal enquanto um grupo artístico da periferia de São Paulo em relação ao povo negro de todo mundo...
Pretensão? Pode ser para alguns mas, para nós, significa o reconhecimento de que é a partir da força desta unidade que poderemos avançar em direção a valorização de nossa cultura, de nossa contribução tecnológica, linguística e cultural para todas as nações em que nossos ancestrais africanos foram levados.
Não reivindicamos uma África mítica, mas sim a contribuição desta para o mundo ocidental. Somos afro-brasileiros, e é no Brasil que queremos ter essa identidade garantida em todos os níveis, seja no educacional, seja no cultural e artístico, no político, no plano dos direitos humanos.
Como artistas podemos contribuir para isto na medida em que simbolizamos todas esta história que é, antes de tudo, de resistência. Usamos nossos corpos, vozes, sentidos e sentimentos para sair encantando os quatros cantos do mundo com toda a riqueza que tem o universo a qual pertencemos: de Maracatus, Cocos, Mitologia, Contos, Tambores,Jongos, Cantigas....
Convidamos a tod@s que compartilham deste sentimento de unidade a acompanhar o nascimento deste grupo artístico que pretende levar beleza e reflexão:UMOJÁ
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22 de maio de 2007
14 de maio de 2007
Quem me pariu
Quem me pariu foi o ventre de navio
vindo de longe,longe...
d'onde tinha muita festa.
Trago como herança a alegria da lá
as cores fortes pra brilhar
a coragem de lutar,conquistar e firmar.
Meu cabelo pixaim
é pro nêgo se entranhar
e com uma flor enfeitar.
Olhos doce,mas bem abertos
pra não me enganar.
Nariz largo sim
que é pra sentir de longe
o perfume dos nossos corpos querendo se engraçar.
Minha boca grande
logo lança um sorriso
querendo a sua molhar.
Os seios fartos
é sinal de muito espaço
para os amados guardar.
Quadril avantajado
pra no samba quebrar.
E com calor, ritmo, cadencia, paixão
logo ali naquele chão
de barro pisado, os meus pés abençoados
irão dançar!
Tá ouvindo um som ecoá?
São os tambores a rufar
o samba já vai começa e
eu quero ser a primeira a entrar na roda.
Eu ouvi meu nome?
Nazaré? Nazaré!... o povo do samba chego!
Flávia Rosa
Flávia Rosa nasceu em são paulo é dançarina, atriz e poetisa negra, é integrante do Umoja, estudante de comunicação e artes do corpo tem seu trabalho ligado à pesquisa corporal e dramaturgica do negro.
vindo de longe,longe...
d'onde tinha muita festa.
Trago como herança a alegria da lá
as cores fortes pra brilhar
a coragem de lutar,conquistar e firmar.
Meu cabelo pixaim
é pro nêgo se entranhar
e com uma flor enfeitar.
Olhos doce,mas bem abertos
pra não me enganar.
Nariz largo sim
que é pra sentir de longe
o perfume dos nossos corpos querendo se engraçar.
Minha boca grande
logo lança um sorriso
querendo a sua molhar.
Os seios fartos
é sinal de muito espaço
para os amados guardar.
Quadril avantajado
pra no samba quebrar.
E com calor, ritmo, cadencia, paixão
logo ali naquele chão
de barro pisado, os meus pés abençoados
irão dançar!
Tá ouvindo um som ecoá?
São os tambores a rufar
o samba já vai começa e
eu quero ser a primeira a entrar na roda.
Eu ouvi meu nome?
Nazaré? Nazaré!... o povo do samba chego!
Flávia Rosa
Flávia Rosa nasceu em são paulo é dançarina, atriz e poetisa negra, é integrante do Umoja, estudante de comunicação e artes do corpo tem seu trabalho ligado à pesquisa corporal e dramaturgica do negro.
12 de maio de 2007
9 de maio de 2007
19 de abril de 2007
Laroye 2
* EXU PARA JORGE AMADO
NÃO SOU PRETO, BRANCO OU VERMELHO
TENHO AS CORES E FORMAS QUE QUISER.
NÃO SOU DIABO NEM SANTO, SOU EXU!
MANDO E DESMANDO,
TRAÇO E RISCO
FAÇO E DESFAÇO.
ESTOU E NÃO VOU
TIRO E NÃO DOU.
SOU EXU.
PASSO E CRUZO
TRAÇO, MISTURO E ARRASTO O PÉ
SOU REBOLIÇO E ALEGRIA
RODO, TIRO E BOTO,
JOGO E FAÇO FÉ.
SOU NUVEM, VENTO E POEIRA
QUANDO QUERO, HOMEM E MULHER
SOU DAS PRAIAS, E DA MARÉ.
OCUPO TODOS OS CANTOS.
SOU MENINO, AVÔ, MALUCO ATÉ
POSSO SER JOÃO, MARIA OU JOSÉ
SOU O PONTO DO CRUZAMENTO.
DURMO ACORDADO E RONCO FALANDO
CORRO, GRITO E PULO
FAÇO FILHO ASSOBIANDO
SOU ARGAMASSA
DE SONHO CARNE E AREIA.
SOU A GENTE SEM BANDEIRA,
O ESPETO, MEU BASTÃO.
O ASSENTO? O VENTO!..
SOU DO MUNDO,NEM DO CAMPO
NEM DA CIDADE,
NÃO TENHO IDADE.
RECEBO E RESPONDO PELAS PONTAS,
PELOS CHIFRES DA NAÇÃO
SOU EXU.
SOU AGITO, VIDA, AÇÃO
SOU OS CORNOS DA LUA NOVA
A BARRIGA DA RUA CHEIA!...
QUER MAIS? NÃO DOU,
NÃO TOU MAIS AQUI
Salvador, 17 de maio de 1993
Mario Cravo
MARIO CRAVO NETO NASCEU EM 1947 NA CIDADE DE SALVADOR, Bahia, onde hoje vive e trabalha. Criado no ambiente artístico de sua cidade natal, inicia suas primeiras experiências em escultura e fotografia aos dezoito anos de idade. Nesta época, o seu pai o escultor Mario Cravo Júnior, tendo sido convidado para tomar parte no programa "Artists in Residence" patrocinado pela "Ford Foundation" e o Senado de Berlim Ocidental, viaja para a Alemanha com toda a família. É em Berlim que Mario Cravo Neto, além de dedicar a maior parte do seu tempo ao trabalho criativo, experimenta o contato com artistas e intelectuais vindos de outras partes do mundo.
NÃO SOU PRETO, BRANCO OU VERMELHO
TENHO AS CORES E FORMAS QUE QUISER.
NÃO SOU DIABO NEM SANTO, SOU EXU!
MANDO E DESMANDO,
TRAÇO E RISCO
FAÇO E DESFAÇO.
ESTOU E NÃO VOU
TIRO E NÃO DOU.
SOU EXU.
PASSO E CRUZO
TRAÇO, MISTURO E ARRASTO O PÉ
SOU REBOLIÇO E ALEGRIA
RODO, TIRO E BOTO,
JOGO E FAÇO FÉ.
SOU NUVEM, VENTO E POEIRA
QUANDO QUERO, HOMEM E MULHER
SOU DAS PRAIAS, E DA MARÉ.
OCUPO TODOS OS CANTOS.
SOU MENINO, AVÔ, MALUCO ATÉ
POSSO SER JOÃO, MARIA OU JOSÉ
SOU O PONTO DO CRUZAMENTO.
DURMO ACORDADO E RONCO FALANDO
CORRO, GRITO E PULO
FAÇO FILHO ASSOBIANDO
SOU ARGAMASSA
DE SONHO CARNE E AREIA.
SOU A GENTE SEM BANDEIRA,
O ESPETO, MEU BASTÃO.
O ASSENTO? O VENTO!..
SOU DO MUNDO,NEM DO CAMPO
NEM DA CIDADE,
NÃO TENHO IDADE.
RECEBO E RESPONDO PELAS PONTAS,
PELOS CHIFRES DA NAÇÃO
SOU EXU.
SOU AGITO, VIDA, AÇÃO
SOU OS CORNOS DA LUA NOVA
A BARRIGA DA RUA CHEIA!...
QUER MAIS? NÃO DOU,
NÃO TOU MAIS AQUI
Salvador, 17 de maio de 1993
Mario Cravo
MARIO CRAVO NETO NASCEU EM 1947 NA CIDADE DE SALVADOR, Bahia, onde hoje vive e trabalha. Criado no ambiente artístico de sua cidade natal, inicia suas primeiras experiências em escultura e fotografia aos dezoito anos de idade. Nesta época, o seu pai o escultor Mario Cravo Júnior, tendo sido convidado para tomar parte no programa "Artists in Residence" patrocinado pela "Ford Foundation" e o Senado de Berlim Ocidental, viaja para a Alemanha com toda a família. É em Berlim que Mario Cravo Neto, além de dedicar a maior parte do seu tempo ao trabalho criativo, experimenta o contato com artistas e intelectuais vindos de outras partes do mundo.
18 de abril de 2007
Laroye
ETNO POESIA
OS SENHORES DAQUELA CASA DE ENGENHO
NÃO QUISERAM QUE ME VISSEM.
NÃO HÁ PRINCIPIO SEM MIM.
EU ERA LIVRE E SABIA
EU ERA PRESO E ME ESCONDIA
SOB O ALTAR DESDE QUE CHEGUEI VIVI
SOB OS OLHARES ESPANTO
OLHARES QUE ME VÊM TANTO
OLHARES DE ASSENTAMENTO.
SOU O PRINCIPIO DA PERTUBAÇÃO
SOU O PRINCIPIO DA COMUNICAÇÃO
FUSÃO
LIGAÇÃO
O COMEÇO DA LOUVAÇÃO
SÓ COM MINHA PERMISSAO
NÃO SE ENGANEM...
EXÚNASEXTA
Euller Alves
OS SENHORES DAQUELA CASA DE ENGENHO
NÃO QUISERAM QUE ME VISSEM.
NÃO HÁ PRINCIPIO SEM MIM.
EU ERA LIVRE E SABIA
EU ERA PRESO E ME ESCONDIA
SOB O ALTAR DESDE QUE CHEGUEI VIVI
SOB OS OLHARES ESPANTO
OLHARES QUE ME VÊM TANTO
OLHARES DE ASSENTAMENTO.
SOU O PRINCIPIO DA PERTUBAÇÃO
SOU O PRINCIPIO DA COMUNICAÇÃO
FUSÃO
LIGAÇÃO
O COMEÇO DA LOUVAÇÃO
SÓ COM MINHA PERMISSAO
NÃO SE ENGANEM...
EXÚNASEXTA
Euller Alves
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